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O desenvolvimento industrial e o impacto no meio ambiente


Porwilliammoura- Postado em 29 maio 2012

Autores: 
MELO, Marciano Almeida

O desenvolvimento industrial e o impacto no meio ambiente

RESUMO: Acontecimentos imprevisíveis no meio ambiente e com determinada constância vêem ocorrendo a partir da Revolução Industrial e, nas últimas décadas apresenta riscos diversos á humanidade, provocando danos e alterações ambientais os quais, preocupam e alertam sobre o futuro da humanidade. Apresentamos este trabalho relembrando alguns fatos passados para análise e reflexão, sobre as conseqüências do grande crescimento industrial, pós a segunda guerra mundial, afetando sobremaneira o planeta em que vivemos.

Palavras-chave: Desenvolvimento Industrial – Impacto Ambiental – Conscientização – Sustentação Racional.

1. Introdução:

Grandes empresas passaram a incluir a questão do ambientalismo em sua agenda. Entretanto, Castells assinala que “a maioria de nossos problemas ambientais mais elementares ainda persistem, uma vez que seu tratamento requer uma transformação nos meios de produção industriais e de consumo, bem como de nossa organização social e de nossas vidas pessoais”.

A partir do inicio dos testes nucleares e as explosões das bombas atômicas sobre o povo japonês, próximo a metade do século passado, é que surge e se organizam os primeiros ambientalistas, chamados alternativos, procurando mostrar ao mundo a possibilidade de estar sob o comando de malucos poderosos, que poderiam explodir o planeta por conta de suas ambições e egoísmos.

Um dos mais importantes movimentos sociais dos últimos anos, foi a chamada “Revolução Ambiental”, que promoveu significantes transformações no comportamento da sociedade como um todo e na organização política e econômica mundial. Começando a ser questionada e debatida no final do século XIX, a questão ambiental emergiu após a Segunda Guerra Mundial, promovendo importantes mudanças na visão do mundo. A humanidade, pela primeira vez, percebeu que os recursos naturais são finitos e que seu uso incorreto pode representar o fim de sua própria existência. Com o surgimento da consciência ambiental, a ciência e a tecnologia passaram a ser questionadas.

A partir desses questionamentos houve uma maior preocupação para prevenir e precaver situações ocasionadoras de danos ambientais. Alguns autores, consideram a publicação, em 1962, do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, como o começo das discusões internacionais sobre o meio ambiente. Porém, pode-se afirmar com certa segurança, que o conceito de desenvolvimento sustentável, teve seu início em 1.968, ano em que constitui-se o Clube de Roma, composto por cientistas, industriais e políticos, que tinha como objetivo discutir e analisar os limites do crescimento econômico levando em conta o uso crescente de recursos naturais.

Detectaram que os maiores problemas eram: industrialização acelerada, rápido crescimento demográfico, escassez de alimentos, esgotamento de recursos não renováveis, deterioração do meio ambiente. Tinham uma visão ecocêntrica e definiam que o grande problema estava na pressão da população sobre o meio ambiente.

O Clube de Roma propôs na oportunidade através de um documento chamado Relatório Meadow (conhecido como Relatório do Clube de Roma), crescimento econômico zero e influenciou , de maneira decisiva, o debate na conferência de Estocolmo, realizada em 1.972, como a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano.

2. FATOS HISTÓRICOS E DESASTRES ECOLÓGICOS

Nos séculos passados, o meio natural era visto como mecânico e predominava o pensamento determinista, sendo a natureza colocada como condição ou obstáculo para o desenvolvimento de uma determinada sociedade. Mas, a partir dos anos 60, o caráter preparatório provocado pelo processo industrial foi enfatizado por diversos autores.

Miltom Santos (1996), por sua vez , enfatizou o papel do Capitalismo Tecnológico e seu impacto no meio natural. Destacou que, hoje a natureza sofre, antes de qualquer coisa, um processo de instrumentalização, tornando-se um processo social e, com isso “desnaturalizada” O meio natural sempre esteve em pauta no debate ambiental, mas hoje a Ecologia e outras ciências são influenciadas pelo surgimento de novos paradigmas e o debate ambiental com mais vigor.

A ciência e a tecnologia desenvolveram-se muito rapidamente a partir do início do século XX e a intensificação da atividade industrial tornou suas técnicas de produção cada vez mais sofisticadas e foram multiplicadas ocupando território físico e comprometendo cada vez mais o meio ambiente.

A tecnologia avança e a industrialização segue junto, com isso provocando mais riscos á vida humana. Ao lado do crescimento industrial existe a pressão econômica para dela (indústria) tirar mais lucro e desempenho. Explorando, muitas vezes, sem nenhum controle ou prevenção, as riquezas da terra por ordem de um capitalismo egocêntrico em sua forma de produzir. Esses fatos constatados atualmente afetam diretamente o meio ambiente, muitas vezes provocando impactos negativos, irreversíveis ou de difícil recuperação. Hoje os riscos produzidos se alastram em quase todas as dimensões da vida humana, obrigando-nos a rever a forma como agimos em relação meio ambiente. O consumismo leva a nos questionar sobre os hábitos de consumo e a maneira como a produção disso está sendo alimentada pelo próprio meio ambiente. As novas tecnologias industriais proporcionam inúmeras comodidades para nosso bem estar. No entanto, devemos ter a consciência dos riscos que essas novas tecnologias provocam no ambiente e a gravidade da situação.

Os riscos em curto prazo são absorvidos pela própria natureza, mas a preocupação maior é com a própria capacidade de espaço físico para suportar tantos dejetos industriais. O perigo provocado pela industrialização do mundo faz surgir movimentos de resistência e conscientização (educação, informação ecológica) no sentido de se criar normas e organismos que possam controlar riscos presentes e muito especialmente a noção relacionada com o futuro ambiental da humanidade.

Na atualidade os riscos estão mais relacionados com os acidentes ou com abusos humanos. A não ser os eventos naturais de grande porte, os demais riscos podem-se prevenir ou serem evitados até certo grau.

Alguns acontecimentos marcantes no século XX auxiliaram numa tomada de consciência sobre os riscos da industrialização e do uso indiscriminado da tecnologia. Vamos relembrar alguns desses fatos para melhor analisarmos todo o impacto de destruição e danos ambientais que a indústria causa no espaço físico em que habitamos, transformando e alterando a ecologia natural que responde pelo processo de vida tanto vegetal, como animal.

Desde o inicio da Revolução Industrial, Londres foi a primeira grande preocupação com o potencial técnico científico destrutivo da humanidade e do meio ambiente. No final da Segunda Guerra, com o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, causando a morte de milhares de pessoas, o mundo ficou chocado e surpreendido com o potencial de destruição que havia se atingido com o crescimento tecnológico e industrial.

Entretanto, a verdadeira tomada de consciência ecológica, começou com a percepção de que o planeta estava sendo permanentemente danificado, quando no final da década de 1950 e o Japão estava passando por um rápido processo de industrialização. Nessa época, na Baía de Minamata, as pessoas ainda viviam como há centenas de anos, tiravam o alimento do mar e comiam peixe fresco diariamente. O primeiro sinal de alerta e de que havia alguma coisa errada, foi notado através dos gatos que, também comiam peixes, começaram agir estranhamente, com ataques e tremores seguidos de morte. Algumas pessoas começaram a apresentar os mesmos sintomas. As crianças estavam nascendo com o cérebro danificado. Tomiji Matsuda nasceu cego e com o cérebro defeituoso, tornando-se mais tarde um símbolo do movimento ecológico. Os médicos suspeitaram inicialmente que se tratava de envenenamento por metal e chamaram o fenômeno de “doença de Minamata”. Não existia nenhum tipo de veneno na Baía antes que uma indústria tivesse se instalado na vila – a Chiso Corporation. A fábrica continuou poluindo, matando e deformando gente e animais por mais dez anos. Os japoneses, assim como a maioria das pessoas no final dos anos 50, relacionavam fumaça e lixo com progresso, prosperidade e geração de empregos, e o Japão estava tentando acompanhar o ritmo de industrialização da Europa Ocidental e da América do Norte. Na época, o problema de Minamata ainda era considerado simplesmente um fato local.

Outro caso marcante a ser relatado foram os efeitos negativos da industrialização no campo, onde os pesticidas pareciam vencer para sempre os problemas das pragas. Até que, em 1962, a bióloga Rachel Carson lançou, nos Estados Unidos, o livro “Silent Spring”, dizendo os perigos causados pelos inseticidas e pesticidas. Carson afirmava que os produtos químicos matavam os insetos e pragas prejudiciais, mas também os benéficos, destruíam o solo e envenenavam as pessoas.

Apesar dos ataques contra Carson, esta recebeu apoio público e seu livro virou um fenômeno nos Estados Unidos, vendendo mais de seis milhões de exemplares e chamando a atenção das autoridades para o problema.

O aviso para o perigo dos produtos químicos acontecia quando os países industrializados estavam ficando mais dependentes do petróleo. No final dos anos 60, um enorme derramamento de óleo na costa oeste da Inglaterra chocou o mundo, sendo exibido na televisão o horrível espetáculo de animais morrendo atingidos pelo petróleo e de praias contaminadas pelo vazamento. O mais grave derramamento de óleo aconteceu no Alasca, em 1989, quando o navio Exxon Valdez se chocou com um rochedo. O casco se rompeu e deixou vazar 40 milhões de litros de petróleo, atingindo uma área ambiental de 250 km2.

Os grandes acidentes em prejuízo do meio ambiente continuaram acontecendo por toda a metade do século XX. Em dezembro de 1984, a cidade de Bhopal, na Índia, foi contaminada por 40 km2 de gás tóxico. Cerca de 200 mil pessoas ficaram queimadas ou cegas, 10 mil morreram na hora e até hoje as vitimas sobreviventes apresentam problemas respiratórios ou no aparelho digestivo. A causa foi um acidente na fábrica de pesticidas Union Carbide, multinacional com sede nos Estados Unidos.

As chuvas ácidas também se tornaram comuns perto das grandes concentrações industriais e urbanas do mundo, poluindo os Grandes Lagos da América do Norte e os Lagos Alpinos. Em abril de 1986, ocorreu o maior acidente nuclear na Usina Nuclear de Chernobil, localizada na Ucrânia, então parte da União Soviética. É considerado o pior acidente da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido. Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas. É difícil precisar o número de mortos causados pelos eventos de Chernobil, devido ás mortes esperadas por câncer, que ainda não ocorreram e são difíceis de atribuir especificamente ao acidente. Um relatório da ONU de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores e 9 crianças com câncer de tireóide – e estimou que cerca de 4000 mil pessoas morrerão de doença relacionada com o acidente. O Greenpeace, entre outros contesta a conclusão do estudo.

O governo soviético procurou esconder o ocorrido da comunidade mundial, até que a radiação em altos níveis foi detectada em outros países.

Estes são acidentes de proporções que abalaram e proporcionaram ao mundo a necessidade da tomada de consciência adequando melhor o crescimento tecnológico e industrial, estabelecendo normas mais rígidas com relação ao uso e exploração do meio ambiente, com a finalidade de prevenir e precaver as eventuais calamidades que possam vir acontecer.

Acidente de menores proporções, acontecem no mundo ás centenas, todos eles transformando de forma negativa o meio ambiente natural.

3. CONSCIENTIZAÇÃO MUNDIAL PARA SUSTENTAÇÃO

RACIONAL DO MEIO AMBIENTE

Pode-se considerar que as preocupações com o meio ambiente remontam ao longo da história do homem, principalmente, abordada pelos filósofos e teólogos. No entanto, os primeiros questionamentos do homem sobre o meio ambiente, segundo alguns autores, acontecem a partir do século XVI, com as grandes navegações e a ampliação das fronteiras mundiais para novos continentes, contrapondo a cultura e a civilização européia aos costumes e a relação com o meio ambiente dos habitantes do novo mundo. Com a revolução industrial e cientifica no século XVIII, estabeleceu-se definitivamente um divisor de águas entre a sociedade do homem desenvolvido e sua cultura peculiar em contraponto dissonante á Natureza. O surgimento de uma ideologia consumista nas linhas de produção capitalistas, deu origem ás primeiras reflexões quanto a atuação danosa do homem sobre a Natureza. Para alimentar o consumismo emergente as conseqüências recaíam na degradação do meio ambiente, naquela época, alienatária e sem nenhuma previsão sobre reposição daquilo que se estava subtraindo da Natureza.

As primeiras manifestações organizadas em defesa do meio ambiente surgem no século XX no pós-II Grande Guerra, quando o homem tomou consciência de que poderia acabar definitivamente com o planeta e com todas as espécies, inclusive a própria. Após a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki, iniciaram-se na Europa manifestações pacifistas contra o uso de energia nuclear em função das conseqüências desastrosas para a humanidade e o meio ambiente.

Um fator que marcou profundamente a conscientização sobre os danos ocasionados pelo avanço tecnológico/industrial, foi o livro “A Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, lançado nos Estados Unidos, em 1962. Rachel Carson, dava ali um grito de alerta relacionado as graves conseqüências provocadas pelo uso de pesticidas e inseticidas nas lavouras. O uso desordenado e sem controle desses produtos estava trazendo danos ecológicos ambientais irreparáveis, como é o caso do quase extermínio da águia americana, uma das aves símbolo daquela nação. O grande desenvolvimento da indústria bélica, levaram ao crescimento dos movimentos ambientalistas que ajudaram a pressionar a comunidade internacional na tomada de decisão política para debater a produção industrial trabalhando parâmetros, necessários á conservação e preservação do meio ambiente.

Com a pressão do governo da Suécia a ONU, por motivo do desastre ecológico da Baía de Minamata, no Japão, realizou-se em 1972 a Conferência de Estocolmo, uma reunião internacional para discutir e debater o meio ambiente. Nessa Conferência surgiram duas correntes do pensamento ambientalista: os zeristas e os marxistas. Os zeristas, servindo-se da trincheira do Clube de Roma e com as armas fornecidas pelo relatório de Meadow sobre os Limites do Crescimento, propunham o crescimento zero para a economia mundial respaldados em projeções computacionais sobre o crescimento exponencial da população e do capital industrial como ciclos positivos, resultando em ciclos negativos representados pelo esgotamento dos recursos naturais, poluição ambiental e a fome. Assim previam o caos mundial em menos de quatro gerações. Já os marxistas embasados na contribuição de Goldssmith e o Manifesto pela Sobrevivência (1972), publicado em Londres, atribuíam a culpa ao sistema capitalista e ao consumismo da ideologia do supérfluo, provocando a banalização das necessidades e a pressão irresponsável sobre o meio ambiente, obtendo como subproduto do crescimento industrial a degradação ambiental. Os marxistas franceses a mesma época propõe a mudança do modo de produção e consumo, fundamentados em uma ecologia com ótica socialista, que abandone a produção de supérfluos pela produção de bens necessários transformando o trabalho árduo em trabalho criador, reduzindo este para aumentar o lazer cultural e a relação ecológica do homem com o meio ambiente.

“Com uma visão universal e baseados em uma compreensão ecológica do planeta, os fundamentalistas deixam de lado o antropocentrismo em nome de uma interpretação ecocêntrica, onde a terra é um enorme organismo vivo, parte de outro universal e maior, onde o homem é uma das formas de vida existente, não possuindo qualquer direito de ameaçar a sobrevivência de outras criaturas ou o equilíbrio ecológico do organismo.”

Apesar da conscientização mundial sobre a necessidade de exercer um maior controle de regras no uso e exploração do meio ambiente, foi a partir do relatório divulgado pela Sra. Brundtland, ex-primeira Ministra da Noruega, sob o nome de “Nosso Futuro Comum”, que a expressão “Desenvolvimento Sustentável” ganhou notoriedade. Este documento foi a base das discussões da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), mais conhecida como ECO 92 ou RIO 92, uma conferência promovida pela ONU no Rio de Janeiro, em 1992, em prosseguimento aquela realizada em 1972, na Suécia, Estocolmo.

O relatório propõe o conceito de que Desenvolvimento Sustentável seria a capacidade das atuais gerações atenderem ás suas necessidades sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras.

Enaltecido por uns e criticado por outros, tem a seu favor o fato de trazer definitivamente para o cenário mundial a problemática ambiental, propondo uma mudança no teor do crescimento econômico, mas pecando na identificação da pobreza dos países subdesenvolvidos como uma das causas da degradação ambiental. Entre alguns dos economistas há o entendimento de que a pobreza é um dos rejeitos necessários da acumulação capitalista e assim, como um efluente poluidor, identificam nos países desenvolvidos o foco gerador desta poluição humana. Com isso amplia-se o conceito de Desenvolvimento Sustentável, além da política do bom comportamento internalizado a este a questão das externalidades, ou seja, a incorporação dos danos ambientais provocados pela atividade econômica, aos custos das indústrias, o que coloca os países desenvolvidos em débito com a recuperação dos ecossistemas do planeta.

No Rio Eco-92, que contou com a participação de todos os países do mundo, a presença de representantes de mais de 180 países, possibilitou produção de extensa gama de instrumentos ambientalistas. Nela foram aprovadas duas convenções internacionais, a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Convenção Quadro sobre Mudanças Climáticas, além de duas declarações de princípios ( a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e a Declaração sobre Florestas). Nesta Conferência foram também criadas as bases para o instrumento de construção do processo de desenvolvimento sustentável global: a Agenda 21, uma declaração de intenções que foi imediatamente subscrita por 179 países, ou a quase totalidade das representações presentes e de todas as nações do planeta.

No ordenamento jurídico brasileiro, o desenvolvimento sustentável está expresso no artigo 225 da Constituição Federal, que diz: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial á sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e á coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” O equílibrio ecológico só é possível na medida em que o país se desenvolve de maneira sustentável; o dever de preservar as condições ambientais para as futuras gerações caracteriza o elemento fundamental para a sustentabilidade.

Além da Agenda 21, a Conferência Eco-92 ou Rio 92, produziu outros documentos de extrema importância, tais como “A Declaração do Rio Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento”, uma espécie de complementação da Convenção de Estocolmo, 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente). Nela, restou demonstrada, em 27 princípios, a importância de se proteger o meio ambiente em nível global, denunciando a relação entre a pobreza e a degradação do ambiente. Outro documento relevante é a Convenção da Biodiversidade, aprovada pelo Brasil através do Decreto Legislativo nº 2, de 3 de fevereiro de 1.994 e promulgada pelo Decreto 2.519, de 16 de março de 1.998, que teve como uma de suas importantes conseqüências a celebração do Protocolo de Biossegurança. Ainda, de lá surgiu a Convenção Quadro sobre Mudanças Climáticas, que serviu de base ao Protocolo de Kyoto, de 1997.

Os objetivos da Agenda 21 na visão de muitos segmentos socioambientais: “é o mais completo e importante documento redigido pela humanidade, pois, preconiza uma nova forma de desenvolvimento, abrangendo e disciplinando todos os setores ou atividades humanas no sentido de se desenvolver uma sociedade mais condizente com a manutenção da qualidade de vida global”. Esses propósitos, cada um contendo uma série de ações e recomendações que lhe são apropriados, são os seguintes:

- Produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício.

- Ecoeficiência e responsabilidade social das empresas.

- Retomada do planejamento estratégico, infra-estrutura e integração regional.

- Energia renovável e biomassa.

- Informação e conhecimento para o desenvolvimento sustentável.

- Educação permanente para o trabalho e a vida.

- Promover a saúde e evitar a doença, democratizando o SUS.

- Inclusão social e distribuição de renda.

- Universalizar o saneamento ambiental protegendo o ambiente e a saúde.

- Gestão do espaço urbano e a autoridade metropolitana.

- Desenvolvimento sustentável do Brasil rural.

- Promoção da agricultura sustentável.

- Promover a Agenda 21 Local e o desenvolvimento integrado e sustentável.

- Implantar o transporte de massa e a mobilidade sustentável.

- Preservar a quantidade e melhorar a qualidade da água nas bacias hidrográficas.

- Política florestal, controle do desmatamento e corredores de biodiversidade.

- Descentralização e o pacto federativo: parcerias, consórcios e o poder local.

- Modernização do Estado: gestão ambiental e instrumentos econômicos.

- Relações internacionais e governança global para o desenvolvimento sustentável.

- Cultura cívica e novas identidades na sociedade da comunicação.

- Pedagogia da sustentabilidade: ética e solidariedade.

Todos esses objetivos traçados na ECO 92 RIO 92, trouxeram significativos avanços na teoria e na prática de mudanças na área ambiental, proporcionando a criação e a positivação de direitos universais relativo ao uso e aproveitamento do meio ambiente.

Partindo da Lei 6938/81, Política Ambiental, foram criadas as Leis de Biosegurança 8974/95, Lei de Crimes Ambientais 9605/98, Águas lei 9433/97 resolução 357/05 – CONAMA, Lei de Agrotóxicos 7802/89 alterada pela lei 9974/2000. todas elas concebidas e baseadas já nos princípios da Agenda 21.

A transformação dos objetivos em realidade palpável, social, econômica ou ambientalmente é um processo de longa duração e que esbarra na necessidade de reorganização e vontade política de todos os participantes. Os Poderes Municipais são em regra geral os maiores fiscais e controladores de toda a política ambiental e, para isso o Poder Público Federal deve estar atento e gerar uma política ampla e de maior apoio, principalmente, financeiro e tecnológico, para poder direcionar uma maior responsabilidade de ações concretas no cumprimento dessas realizações.

Em 2002, quando da revisão dos processos de implantação das agendas nacionais, em Johanesburg, na África doSul, na conferência conhecida por Rio + 10, o Brasil, ao lado da maioria das nações participantes, viu-se obrigada a fazer um “meã culpa” e a reconhecer a pouca efetividade de seu processo. As necessidades nacionais apresentadas no encontro constaram de documento então elaborado. Por enquanto, a coordenação da Agenda 21 brasileira resolveu concentrar suas energias em três ações básicas: implementação da Agenda 21 brasileira, apoio a processos de construção e implementação de agendas 21 locais e formação de multiplicadores em agenda 21 local.

Os principais problemas que estão afligindo a humanidade nos dias atuais, segundo relatório publicado, em 2002, pelo PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – conhecido como GEO-3 (Panoramam Ambiental Global), foi preparado para facilitar o balanço da saúde ambiental do planeta e estimular os debates sobre os rumos da política ambiental nos próximos anos, visando evitar desastres ambientais e seus severos impactos sobre as populações indefesas.

O relatório aponta os seguintes problemas:

- A concentração de gás carbônico na atmofesra é um dos fatores que provoca o efeito estufa – o aquecimento global. Apesar de amplamente divulgado, documentado e reconhecido na Convenção das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas, e, posteriormente reforçado pelo Protocolo de Kyoto, sua implementação continua suspensa devido à recusa dos Estados Unidos em assumir suas responsabilidades, desde 1997. Com o aumento do aquecimento global terrestre devido ao consumo crescente de combustíveis fósseis,a produção de cimento e a combustão de biomassas, nos últimos anos causou a extensão dos danos á camada de ozônio que alcançou um nível alarmante, estimando-se o “buraco” no ano 2000 , de 28 milhões de km2 somente na região antártica.

- A crescente escassez de água potável: com uma demanda crescente em conseqüência do aumento da população, o desenvolvimento industrial e a expansão da agricultura irrigada verifica-se uma oferta limitada de água potável distribuída de forma muito desigual. O Relatório de PNUMA estima que 40% da população mundial sofre de escassez de água, já a partir de 1990.

- A degradação dos solos por erosão, salinização e o avanço contínuo da agricultura irrigada em grande escala e os desmatamentos, remoção da vegetação natural, uso de máquinas pesadas, monoculturas e sistemas de irrigação inadequados, além de regimes de propriedade arcaicos, contribuem para escassez de terras e ameçam a segurança alimentar da população mundial.

- A poluição dos rios, lagos, zonas costeiras e baías, têm causado degradação ambiental contínua por despejo de volumes crescentes de depósitos de resíduos re dejetos industriais e orgânicos. O lançamento de esgotos não tratados aumentou drasticamente nas últimas décadas, com impactos eutróficos severos sobre a fauna, flora e os próprios seres humanos.

- Desmatamentos contínuos – o Relatório do PNUMA estima uma perda total de florestas durante os anos 90, de 94.000 km2, ou seja, uma média de 15.000 km2 anualmente, já abatendo as áreas reflorestadas. Emblemático a respeito é a devastação da Mata Atlântica da qual sobraram somente 7% segundo levantamento patrocinado pelo SOS Mata Atlântica.

Um das conseqüências do desmatamento é a destruição da biodiversidade, particularmente nas áreas tropicais. Mudanças climáticas, extração predatória de recursos naturais e minerais, transformações no uso dos solos estão dizimando a fauna e a flora em diversas regiões do mundo.

O crescimento da população acompanhado de novos padrões de consumo e produção resulta em quantidades de resíduos e substâncias tóxicas poluentes com efeitos desastrosos na biodiversidade. Embora não existam dados precisos sobre espécies extintas nas últimas décadas, o relatório PNUMA estima que 24% (1.183) das espécies de mamíferos e 12% (1.130) de pássaros estariam ameaçados de extinção.

A consciência ambiental avançou muito desde o Rio-92 e, para o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobiano, presidente interino do Instituto Chico Mendes, afirmou que a efetivação dos processos de licenciamento ambiental faz parte dos avanços pós-Rio 92, mas que é preciso paciência e inteligência no planejamento de obras que atingem o meio ambiente. “Nós devemos tratar essa questão com eficiência. Temos que dar qualidade aos processos de licenciamento, dar segurança para a sociedade brasileira de que os empreendimentos licenciados atendem aos interesses privados e públicos.” O embaixador da União Européia no Brasil, João Pacheco, declarou que a preservação do meio ambiente se tornou uma preocupação geral depois da realização da conferência Rio 92: “Nem o Brasil, nem a Europa podem resolver esse problema sozinhos. Esse problema só pode ser resolvido com uma ação de todos, começando por aqueles que têm maior responsabilidade.”

O conhecimento dos problemas está a mostrar ao mundo á necessidade da forte tomada de posição política aceitando a realidade dos fatos, aplicando o positivismo com mais rigor na criação e elaboração de mecanismos concretos e eficazes para combater, prevenir, precaver e resguardar nosso planeta de todos os riscos apresentados contra o meio ambiente. Elaborando controle e fiscalizações necessárias estarão os países garantindo o futuro de novas gerações habitando o nosso planeta.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando todo o contexto histórico da Revolução Industrial, constatamos, inicialmente, uma imaturidade despreocupada com os impactos danosos ao meio ambiente que poderiam advir do processo de industrialização.

Com o constante aumento da população e a necessidade de produzir cada vez mais para atender a uma maior demanda, as indústrias foram se expandindo, bem como, a tecnologia foi evoluindo e proporcionando ao homem mais conforto e comodidades, ampliando o espaço para o consumismo e com isso crescendo a devastação no meio ambiente.

Esse crescente aumento da população, da industrialização e também do consumismo trouxeram junto riscos e alterações no sistema ambiental devastando ecossistemas, poluição do ar, do solo e das águas ocasionando perdas, algumas irrecuperáveis, como centenas de espécies de mamíferos e de aves extintos nas últimas décadas. Alem do grande impacto devastador provocado na flora e nos próprios seres humanos, através da poluição dos rios, desmatamentos, degradação do solo, que causam a destruição da biodiversidade

Podemos afirmar que houve nos últimos anos uma tomada de consciência mundial referente à preservação e conservação do meio ambiente. A conscientização fez o homem perceber, que o progresso estava deixando atrás de si um rastro macabro de destruição e um trágico caminho de mortes. A partir dessa conscientização começaram a acontecer Conferências Internacionais para tratar e debater sobre o meio ambiente.

No entanto, há necessidade de um grande processo de transformação em todo o mundo para que essa consciência possa realmente exercer uma prática saudável de um relacionamento entre o ser humano e a natureza, que tenha mais eficácia e produza um verdadeiro efeito.

Países ricos, como Estados Unidos, Austrália e outros 60 governos que rejeitaram assinar o Protocolo de Kyoto cujo documento estabelece a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases que provocam o efeito estufa, responsável pelos danos causados a camada de ozônio e o aquecimento global. A rejeição por parte dos Estados Unidos e outros preocupam a humanidade, pois mesmo tendo a consciência dos danos ambientais presentes e futuros, ainda, existem países cujos representantes negam-se a ajustar-se á realidade.

Para que mudanças como essa se concretizem, é necessário muito trabalho e, que políticos, empresários e consumidores, aceitem quebrar o paradigma da revolução industrial, centrado nas indústrias do aço, do petróleo e, principalmente, no mais desejado bem de consumo durável do planeta: o automóvel.

E como sempre, acreditamos, que somente através de um Direito Ambiental Internacional fortemente apoiado, disciplinado, aceito e amparado por todos os seres humanos, por todas as sociedades humanas e por todos os países do mundo, teremos a garantia de preservação e manutenção da vida em nosso planeta.

5.BIBLIOGRAFIA

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- BERNARDES, Julia Adão. A Questão Ambiental 2ª Ed. São Paulo. Ed. Bertrand Brasil. 2.003

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- GIDDENS, A. As Conseqüências da Modernidade. São Paulo. UNESP. 1.991.

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INTERNET

Site Gogle – PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

PT.wikipédia.org.wiki/acidente_nuclear de Chernobil